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Por que as pessoas usam drogas

postdateiconSeg, 12 de Julho de 2010 14:02 | postauthoriconEscrito por Marta Antunes Moura | Imprimir | E-mail

 

Os motivos são vários: curiosidade, insegurança, tédio, medo, timidez, frustrações, insatisfações, auto-afirmação, fuga de problemas, crença de que as drogas aumentam a criatividade, pressão de grupo, etc. A lista é longa. Do ponto de vista histórico, o uso de drogas era associado a aspectos religiosos, culturais, medicinais, místicos e até como forma de buscar a transcendência espiritual, pela alteração do estado de consciência. Tratava-se, porém, de consumo restrito a grupos fechados, diferentemente do caráter disseminador da atualidade.

A conhecida professora de farmacologia da Escola de Medicina do Alabama, Estados Unidos, doutora Gesina Longenecker, analisa que o indivíduo que alimenta o vício dos semelhantes é outro fator de extrema relevância no uso de substâncias psicoativas: “o processo da descoberta e distribuição começou a partir de homens comuns que se especializaram no assunto das drogas, alcançando posições de poder e influência ao usar e guardar o seu conhecimento: tornaram-se curandeiros, padres e políticos. Tais poderes garantiram-lhes uma elevada posição social”.1Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o uso de drogas é fenômeno de ocorrência mundial, um preocupante problema de saúde pública, cuja gravidade varia de região para região, mas afeta praticamente todas as nações do Planeta: 75% dos países enfrentam problemas com o consumo da droga.

 

Em termos mundiais, as projeções estatísticas indicam que cerca de 200 milhões de pessoas – algo em torno de 5% da população entre 15 e 64 anos – usam drogas ilícitas pelo menos uma vez por ano; metade deles usa drogas regularmente uma vez por mês. Recente relatório da ONU, o de setembro do corrente ano, informa que 4% da população mundial, situada na faixa etária de 15-64 anos, usa cannabis (maconha), enquanto 1% é usuário de estimulantes do grupo das anfetaminas, da cocaína e dos opiáceos. O uso de heroína é também grave problema mundial.2

Compreende-se que não sucumbir às tentações, presentes no mundo atual, é tarefa de grande envergadura.Um desafio que afeta, em especial, os indivíduos que não tiveram boa formação moral ou os adolescentes, que se encontram numa fase de fácil influenciação.A Doutrina Espírita esclarece, porém, que Deus permite as tentações com o objetivo de desenvolver a razão e preservar o homem dos excessos.3

Estudo realizado por docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, em 2006, em que foram entrevistados 568 adolescentes do ensino médio com a finalidade de identificar os motivos que levam o jovem ao primeiro contato com a droga, conclui: “Verificou-se que a curiosidade foi o motivo principal apontado para o uso de drogas pela primeira vez e que os responsáveis pelo início do consumo dessas substâncias pelos adolescentes foram os amigos”.4 Os dados apresentados na publicação oferecem importantes subsídios para o planejamento de estratégias preventivas no controle do consumo de drogas na adolescência, cujas conclusões contestam as idéias de senso comum, que associam o uso de substâncias psicoativas à pobreza, a “lares desfeitos” e às “más companhias”.

O controle social eficiente do problema, segundo posição unânime de especialistas e estudiosos, tem como base: a) suprir a população de informações corretas sobre as drogas, seus mecanismos de ação, efeitos no organismo e formas de prevenção; b) estabelecer parcerias sociais que, efetivamente, desenvolvam trabalhos de prevenção ao vício e/ou de recuperação do viciado. Nesta situação, o trabalho desenvolvido nas casas espíritas, junto às crianças, jovens e adultos, por ser de caráter orientador e humanitário, ocupa posição de relevância na sociedade.

Os motivos aqui apresentados, relativos aos “porquês” do uso de drogas estão todos subordinados à imperfeição humana. Imperfeição que prioriza uma vivência hedonista, onde a busca pelo prazer é equivocadamente considerada o bem supremo. A propósito, avalia Joanna de Ângelis:

O […] homem moderno deixou-se engolfar pela comodidade e prazer, deparando, inesperadamente, o vazio interior que lhe resulta amargas decepções, após as secundárias conquistas externas. Acostumado às sensações fortes, passou a experimentar dificuldades para adaptar-se às sutilezas da percepção psíquica, do que resultariam aquisições relevantes promotoras da plenitude íntima e realização transcendente.5

Não desconhecemos, contudo, a existência de inúmeras criaturas que renascem em ambientes viciosos e que não se deixam arrastar pelo vício; ou de tantas outras que experimentam drogas e as rejeitam. O que faz essas pessoas serem diferentes das demais? A resposta pode ser resumida nestas duas ordens de idéias: tendências instintivas e educação familiar.

As tendências que marcam a personalidade do ser humano encontram em Allan Kardec as seguintes explicações:

Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. [...] se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção,porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará.As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações.6

A orientação familiar que valoriza a educação moral, educação “que consiste na arte de formar caracteres [...]” 7 previne os muitos males, criando obstáculos à curiosidade, tão comum nos jovens, de experimentar substâncias psicoativas. Da mesma forma, o adulto que edificou o caráter em bases sólidas, da moral e da ética, dificilmente faz uso de drogas, ainda que se encontre sob o peso das provações e dos testemunhos. Isto nos faz recordar Emmanuel, que nos exorta coragem perante as tentações que nos assaltam a existência:

Vigiai na luta comum.
Permanecei firmes na fé, ante a tempestade.
Portai-vos varonilmente em todos os lances difíceis.
Sede fortes na dor, para guardar--lhe a lição de luz
.8

Referências:

1 LONGENECKER, Gesina. Como agem as drogas – abuso das drogas e o corpo humano. Tradução de Dinah Kleve. São Paulo: Quark Books, 1998. Cap. 1, p. 5.
2 Organização das Nações Unidas (ONU). Programa de prevenção às drogas e HIV/AIDS. Brasília: Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC). Setembro de 2007.
3 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Questões 712 e 712-a.
4 PRATTA, Elisângela Maria Machado; SANTOS, Manoel Antonio. Levantamento dos motivos e dos responsáveis pelo primeiro contato de adolescentes do ensino médio com substâncias psicoativas. Revista Electrónica de Salud Mental, Alcohol y Drogas. Universidad Autónoma del Estado de México, año 2, n. 2, 2006.
5 FRANCO, Divaldo P. Após a tempestade... Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL, 1974. Cap. 8, p. 49.
6 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 5, item 11, p. 114.
7 ______. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB,
2007. Questão 685-a.
8 XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 34. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 90, p. 233.

(Revista Reformador, 2144, de Novembro de 2007)

Última atualização (Seg, 12 de Julho de 2010 14:28)

 

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