Tempos de valorização da vida
Quaisquer que sejam as providências tomadas para elucidar a alma humana, no sentido de se promover os cuidados para com a vida, valorizando-a como deve ser, esbarraremos numa muralha intelectual e num vazio moral instigados pela influência das teses materialistas-ateístas que se insurgem no seio das sociedades.
Não deveremos desconsiderar a força dos projetos de vida imediatistas que se costumam alimentar no anseio tipicamente humano de desenvolver poucos empenhos, ou de usufruir situações mais confortáveis e de tirar todos os proveitos possíveis dos recursos do Planeta, sem que se tenha muito o que ressarcir, o que realizar, em prol desse bem-estar anelado. Enfim, é a teoria do proveito pleno e sem ônus para os beneficiários.
Tais posturas são regidas pelo egoísmo, remanescente do instinto de conservação, que tem nos reinos inferiores à Humanidade a sua fonte geradora. É o egoísmo que faz dilatar essa desenfreada busca do prazer hedonista, do gozo insaciável e gratuito sem qualquer reflexão relativa às conseqüências desses privilégios.
Não estranhemos que semelhantes condutas estejam entranhadas e muitas vezes sustentadas por criaturas que se apresentam como religiosas, como crentes em Deus, ou como lideranças nos campos das instituições de fé ditas cristãs.
O que se passa é que muitos Espíritos hão chegado ao Planeta, nos dias presentes, trazendo responsabilidades assumidas na Imortalidade, nos campos do bem, da renovação espiritual e dos progressos inerentes à alma eterna. Ao se sentirem bem instalados no conforto do corpo físico, valendo-se das possibilidades socioeconômicas de realce ou quando se adornam com os poderes da política terrena, deslustram esses compromissos – que lhes são recordados durante as horas de desdobramentos naturais pelo sono – e mergulham em atuações ególatras discricionárias, absolutistas, sem qualquer pensamento que se volte para o Criador da Vida e Suas leis registradas em nossa consciência.
Problemas sociais
No Evangelho de Jesus, identificamos um dos Seus ensinos notáveis, no Evangelho segundo João, no capítulo XIV, itens 1 a 3. Nesses versículos Jesus Cristo estabelece o seguinte:
Credes em Deus, crede também em Mim. Na casa do Meu Pai há muitas moradas. Eu Me vou para vos preparar o lugar, se assim não fosse Eu já vos teria dito.
Quando lemos isso no Evangelho, nos damos conta de que vivemos num planeta que é uma das casas de Deus espalhadas pelo Cosmo, pelo Universo inteiro.
O nosso planeta é a casa que momentaneamente estamos habitando e, não estamos aqui por casualidade. Existirá, sem dúvida, uma razão para que Deus nos haja situado neste planeta.
É óbvio que, nessa altura dos acontecimentos do mundo, da Ciência, do pensamento filosófico, não há mais espaço para admitirmos que seja somente o nosso planeta habitado nesse Universo de bilhões e bilhões de estrelas, cada uma dessas estrelas, cada um desses sois rodeados por seus planetas. Como é que somente o nosso teria o privilégio da vida inteligente no Universo inteiro?
O bom senso nos leva a pensar que há muitas outras cidades cósmicas, continentes siderais, como nós quisermos pensar.
Mas, a nossa Terra foi aquela casa planetária, aquela casa de Deus destinada a nossa habitação. Por isso mesmo estamos aqui numa sociedade, humana, da qual fazemos parte psiquicamente.
Todos os que vivemos neste planeta somos aparentados, temos um parentesco. Deus nos trouxe de alguns lugares, nos reuniu aqui e, naturalmente esses diversos lugares de onde viemos para a Terra, essas múltiplas moradas da casa do Pai, como lembrou Jesus, eram casas, moradas, planetas em que tínhamos características específicas, certas singularidades, certas propriedades, certas inclinações, certas tendências.
Quando nos reunimos aqui formamos a sociedade terrestre. E, essa sociedade terrestre é composta pelos elementos que vivemos nos mais diversos continentes, nos cinco continentes da Terra.
Notamos que, por mais que haja nesses continentes hábitos próprios, culturas próprias, alimentação específica, todos somos muito assemelhados. Enquanto criaturas humanas, sentimos amor, tristezas, mágoas, ódios, temos acessos de ira, temos expressões de ternura.
Somos muito similares, não importa qual seja a língua que estejamos falando; se o nosso país é de primeiro mundo, de segundo mundo, de terceiro ou quarto mundo, o importante é que nós somos muito assemelhados nas nossas reações espirituais.
Isto quer dizer que fazemos parte de uma mesma família evolutiva, um mesmo grupo em que manifestamos aquilo que já tenhamos adquirido.
É óbvio que vamos encontrar na Terra, figuras de exceção. Vamos achar aqui almas como Francisco de Assis, como Chico Xavier, como Abade Pierre, na França, como Luther King, nos Estados Unidos, Lincoln. Vamos achar criaturas como Madre Teresa, como Irmã Dulce. Vamos encontrar gente maravilhosa como João Paulo II. Vamos encontrá-los assim, espalhados nessa imensa massa humana.
Mas, a maioria de nós ainda se debate nas suas próprias tormentas. O ciúme, a mágoa, o ódio, a inveja, o despeito, o orgulho, a vaidade, a alegria exacerbada.
A nossa alegria é tão exacerbada, é tão estranha aqui na Terra que, quando queremos comemorar nossas festividades, temos que beber muito, temos que comer muito, temos que cair na vala do excesso, mostrando que ainda não sabemos aproveitar a nossa vida no planeta.
Tudo conosco raia para os extremos. Se gostamos de uma pessoa, nos apegamos a ela, ficamos ciumentos e, por causa do ciúme, nos atormentamos.
Se gostamos de comer alguma coisa, comemos aquilo até que nos faça mal. Vejamos como nos falta muito equilíbrio, dosando aquilo que o planeta nos oferece.
Por causa disso é que a sociedade em que nós estamos vivendo na Terra é a sociedade que nós merecemos.
Todos somos animais sociais, já disse o filósofo, todos somos criaturas que temos necessidade da vida social mas, enquanto estamos na Terra, nos assemelhamos a crianças colocadas na escola.
Temos que aprender boas maneiras, temos que desenvolver bons modos, temos que aprender a conviver uns com os outros, sabedores de que nessa convivência uns com os outros, alcançaremos o progresso que buscamos.
É a Terra o berço da nossa sociedade atual.
* * *
Sendo aqui o berço da nossa sociedade atual, tudo que fazemos aqui, fazemos em função da nossa volição, da nossa vontade, do nosso livre arbítrio.
Os atos de nossa vida são coordenados pela liberdade que temos de fazê-los. Por causa disto, a partir do momento em que acionamos a roda das nossas ações, estamos submetidos inexoravelmente às consequências dessas ações.
Por isso, Jesus Cristo estabeleceu para nós, que a sementeira que fazemos é de total liberdade, é livre a nossa sementeira, mas depois que se semeou, o que se vai colher é obrigatório.
Assim, na vivência social, vale a pena termos cuidado com aquilo que estamos plantando no território das almas humanas, no território dos corações alheios, no íntimo das vidas que nos rodeiam porque, em verdade, nós teremos as consequências dessa plantação.
E, pensando no fato de que na Terra, quase nunca sabemos semear boas sementes, quase sempre estamos envoltos em tormentas, Jesus Cristo nos diz, com certa dose de amargura:
No mundo só tereis aflições. Que coisa mais estranha.
Mas, se pararmos para pensar, este é o mundo das dúvidas, este é o mundo das incertezas, este é o mundo das impermanências. Nada neste mundo é para sempre, tudo é relativo, tudo é temporário, então, é o mundo das aflições.
Afligimo-nos porque não sabemos se vamos chegar a tempo, na estrada cheia como está, ao nosso trabalho; afligimo-nos porque não sabemos se vamos ser aprovados no vestibular, se seremos aprovados no concurso que fizemos.
Afligimo-nos porque não sabemos se determinada comida nos fará mal ou não, nos afligimos porque não sabemos... nos afligimos.
No mundo só tereis aflições.
Afligimo-nos por não saber se alguém gosta da gente como a gente afirma gostar desse alguém. A mulher tem ciúme do marido: Será que ele gosta de mim como eu gosto dele?O marido tem ciúme da esposa: Será que ela me ama como eu a amo?
E, deste modo, nós vivemos o tempo todo nesses conflitos. Conflitos de fora, da vida social, das necessidades prementes, conflitos por dentro, as nossas incertezas, aquilo que não se imagina se será ou se não será amanhã.
Então, a vida na Terra é uma consequência dos nossos atos. Se vivemos num mundo com essas características, é porque desenvolvemos em algum tempo, em alguma dessas moradas na casa do Pai, situações que nos impuseram viver hoje na Terra.
Deus não dá ponto sem nó O Criador não se equivoca jamais. Todas as coisas estão corretas aqui. Vale a pena pensarmos, e pensarmos bem naquilo que desejamos transformar a nossa sociedade.
Se damos bons exemplos, se damos bons ensinos, se passamos boas orientações para nossa criança, essa criança será um jovem bem orientado, bem instruído, bem assistido, que assistiu a bons exemplos.
Se ensinamos as crianças a serem corruptas ou corruptoras, se lhes ensinamos a fazer o mal, a prejudicar os animais, a ferir os bichinhos, a agredir a quem as agride na rua, pagar o mal com o mal, é óbvio que nós também participaremos da colheita dessa tragédia.
E é desta maneira que vale a pena pensar que vivemos na sociedade do mundo terrestre, porque é esta sociedade que fizemos por merecer. Deus não nos pôs aqui por mero acaso.
Quantas são as pessoas que se perguntam: Que mal eu fiz a Deus? Eu acho que eu nasci em tempo errado. Isto aqui não é o meu lugar, não é o meu mundo. É óbvio que é o nosso lugar.
Recordo-me de que, oportunamente, tive um desses surtos de criaturas humanas. Fiquei triste porque cada lugar que a gente vai, acha aqueles que não nos entendem, aqueles que estão sempre tramando contra nós, aqueles que nos tratam mal, aqueles que são ríspidos, que são grosseiros, que são indiferentes, e essa tristeza tomou-me conta da alma. Cheguei a minha casa muito preocupado, assentei-me no sofá e fiquei meditando. Algumas lágrimas me vieram aos olhos, por ver uma sociedade tão complexa como é a nossa.
Nesse momento, registrei uma criatura do outro lado da vida que me sugeriu o seguinte raciocínio:
E pensar meu filho, que você já poderia estar vivendo outra situação, diferente desta.
Foi o modo que ele encontrou de me dizer que o que eu estava vivendo aqui era fruto de minha própria escolha, consciente ou inconscientemente, porque aqui, na nossa sociedade terrestre, ganhamos o bônus do bem praticado, nas outras moradas da casa do Pai ou temos que resgatar o ônus de todos os gestos negativos que realizamos por esse mundo afora ou aqui no nosso planeta.
Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 125, apresentado por Raul Teixeira,
sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2008.
Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 29 de março de 2009.
Prece em Seu Lar
Você já pode observar o modo como a sombra noturna fica desfeita sob a ação da luz solar a cada manhã.
Você conhece os fenômenos da natureza por meio dos. quais a rocha é cortada pelo filete d'água permanente, que passeia sobre o seu corpo pétreo, ou como ela é lixada, pouco a pouco, pelos ventos pacientes que vêm e que vão.
Dentro desses enfoques, podemos meditar sobre o efeito dos pensamentos elevados, quando agem sobre as incontáveis ocorrências da existência.
Nas atividades do lar, não são poucos os dias de penumbra ou de sombra intensa motivados pelos temperamentos exasperados, irascíveis, odientos, ou por mil e uma tormentas que invadem a vivência da família, que podem até provir de motivos externos ao grupo doméstico, mas que o apanham no lance da surpresa.
Não são poucos os corações endurecidos, os sentimentos rochosos de almas demarcadas por muitas frustrações, por profundas amarguras ou decepções alimentadas que se converteram em seres empedernidos, que oscilam da indiferença à crueldade no seio da família.
Os problemas variados somam-se a variadas bênçãos que todos, quase sem exceção, costumam viver dentro dos lares, sem atinar muitas vezes quanto aos caminhos que lhes permitam romper a teia das dificuldades.
Introduza a prece em casa, caso essa providência ainda não tenha sido tomada. A prece em casa é como a brisa leve, dúlcida e perfumada, desfazendo fétidos que se insinuam aqui ou ali.
A vibração da mente que ora tem o poder de iluminar consciências, de clarear discernimentos, trazendo solução para diversos problemas de difíceis aparências.
Quem ora no lar vai, aos poucos, sensibilizando as almas de todos, mesmo aquelas que, aborrecidas consigo mesmas, desforram na vida e nos outros, como se todos devessem suportar seus impulsos venenosos ou suas posturas de chumbo.
Você que costuma ter cuidados com a qualidade dos alimentos de uso familiar, que se esmera em oferecer o melhor aos de casa, em todos os sentidos, não deverá esquecer ou menosprezar a eloqüente contribuição da prece como aroma inebriante que desponta no jardim do lar, ou como medicação formidável frente às enfermidades morais em curso.
Reúna quem se disponha, sem nenhuma pressão que não seja a fraterna persuasão, e de maneira descontraída, como quem se prepara para receber um querido e íntimo amigo, ore. Abra o coração e deixe que sua pulsação sensibilizada chegue à boca. Agradeça as alegrias e tristezas do dia vivido ou por viver, caso você ore à tarde, à noite ou pela manhã.
Abra uma pequena página, seja de O Novo Testamento, onde se acham os fatos e feitos de Jesus, seja de O Evangelho segundo o Espiritismo, onde encontramos os ensinamentos da moral de Jesus sob a visão de luminosos Mentores da vida planetária, ou de qualquer outro trabalho inspirado nas leis de Deus, sobre a felicidade humana. Leia um pequeno trecho que lhe permita fácil entendimento, rápidos comentários que lhe atestem a utilidade para todos. Banhe a alma nessas mensagens felizes e conclua esses momentos de sublime evocação das bênçãos divinas dirigindo ao Senhor a sua gratidão.
Evite utilizar esses instantes renovadores para "puxar orelhas" dos afetos, ou para fazer "sermões" despropositados e cansativos, ou, ainda, para o excesso de recitações que simulam preces, mas que são falatórios ditados por forte ansiedade de contar com privilégios indevidos, diante da imparcialidade das leis de Deus.
Estabeleça um comentário fraterno em torno das lições lidas, no qual quem quiser possa colaborar, sem constrangimento, até porque todos sabem onde os calos lhes dóem e onde as orientações de Jesus lhes servem às íntimas necessidades.
Se for do seu interesse, para maior aproveitamento do ensejo, disponha sobre um móvel qualquer um vaso com água para uso individual ou de todos, após a oração, guardando a certeza da atuação benfazeja da prece sobre ela e da colaboração invisível dos Mensageiros Celestes que virão em atendimento a sua busca.
Instale esse regime de prece em seu lar, e, enquanto em toda parte a desordem perturbe, o crime negreje e a dor faça sucumbir, junto a você e aos seus, pela ação da prece, tudo se torne construção da harmonia, cultivo da virtude e explosão de esperança. Ao longo dos dias você experimentará os resultados venturosos da sua iniciativa.
J. Raul Teixeira. Ditado pelo Espírito Joanes.
O hóspede
Quando você se prepara, a fim de receber um hóspede estimado em seu reduto doméstico, organiza o que lhe é possível e da melhor maneira, de modo a oferecer o que guarda de bom, de mais especial. Por isso, alimpa e aromatiza o seu lar;
enfeita suas peças com flores risonhas;
faz silêncio para não perturbar-lhe o repouso, não permitindo o alvoroço ao redor, através de observações cuidadosas;
desdobra-se nas atenções devidas aos alimentos a servir;
substitui as expressões do seu vocabulário trivial por outras mais polidas e agradáveis; não há gritos, nem semblantes carregados.
Tudo se torna envolvimento carinhoso para que seu hóspede esteja à vontade em seu lar.
* * *
Irmão-amigo, há um Hóspede ansioso por penetrar-lhe a casa interna, para levar-lhe felicidade.
Há alguém que tem caminhado de um para outro lado, nas calçadas de sua vivenda emocional, diariamente, insinuando-se para que você tome a iniciativa de convidá-Lo.Com certeza, Ele conhece-lhe o íntimo atormentado, os sentimentos feridos, a alegria ansiosamente buscada, a saúde esperada, as esperanças acalentadas... Ele há de ter-lhe seguido nos corredores da solidão, quanto na algaravia da qual não participa em virtude de conduzir o coração amargurado e triste.
Quem sabe, ainda hoje, você O possa convidar?!
Inicie a higienização das peças interiores de sua alma, coloque perfumes em sua casa íntima, envolva cada compartimento interno com o necessário silêncio para que Ele se faça o mais suave Hóspede da sua vida, dela jamais, então, se apartando.
De quem se trata? Por ventura ainda não se apercebeu que lhe estou falando de Jesus ? Convide-O, pois, sem mais demora, e Hospede-O para sempre!
Rosângela
Psicografia de J. Raul Teixeira
O valor da oração para a vida
Todas as vezes que queremos sair do nosso burgo e tomar a grande estrada, percorremos caminhos. Quando queremos sair do riacho, chegar ao rio e encontrar o oceano, existem meios.
No nosso caso de vida interior, de vida espiritual, sempre que queiramos sair um pouco de nós mesmos e ir ao encontro da Divindade, desse estuário de paz, de amor, de ventura, nós o faremos através da oração.
É tão importante, é tão significativo, é tão indispensável orar, como é importante e significativa a alimentação de cada dia, o comer diário. Afinal de contas, o que significa oração? O que quer dizer orar?
Orar é um verbo diretamente saído do latim. Orare. E orare, significa falar. Todas as vezes que falamos, oramos.
Não é à toa que os pregadores, os conferencistas são chamados de oradores. E porque eles oram, não estão fazendo preces obrigatoriamente, estão falando.
E, por que é que nós chamamos a prece de oração?
Porque nesse caso, nós estaremos falando com o nosso Criador. Orar significará para nós, falar com Deus.
E é tão importante falar com Deus. Mas, Deus não está em toda parte? Não está em nossa intimidade e na intimidade das coisas? Por que há necessidade de nos posicionarmos, para falar com Deus?
Em verdade, Deus está em toda parte; Ele é onipresente. Deus sabe de todas as coisas. Ele é onisciente. Nada obstante, somos nós que temos necessidade de começar a buscar o contato com Deus.
Nós é que temos necessidade de nos aprimorar para esse grande encontro no estuário da vida. Somos nós que, quando oramos, aprendemos, pouquinho a pouquinho, a nos acercar do nosso Criador, a nos apresentar a Ele, a identificar a nossa necessidade, identificar a nossa carência, a nossa mazela.
Por causa disto, nós aprendemos a orar. É tão importante orar. Jesus Cristo quando esteve entre nós no mundo, nos deu lições importantíssimas a respeito da oração. Disse-nos Ele em dado momento:
Quando orardes, não façais como os hipócritas, que oram nos cantos das praças, no meio das ruas, para que sejam vistos pela multidão. Esses, já obtiveram com isso seu galardão.
Então, Jesus Cristo nos está chamando a atenção para que não tenhamos no ato de orar, o exibicionismo dos hipócritas. Eles querem gritar nas praças, nos cantos das ruas, mas não é porque desejam falar com Deus, eles querem receber os elogios, pelo modo como oraram, como falaram, como discursaram.
Quando Jesus Cristo propõe que não façamos como os hipócritas, é porque a oração tem sentido quando as coisas se passam em nossa intimidade.
A oração que verte pelos nossos lábios, precisa vir das nossas entranhas. Por mais simples que seja, por mais sensível que seja, vem do nosso íntimo.
Então Jesus nos disse assim:
Quando orardes, entrai para o vosso aposento e orai em secreto, uma vez que o Pai que vê tudo que se passa em secreto, vos atenderá.
Minha gente, como é importante saber isso com Jesus. Como é importante ter essa consciência cristã de que as coisas verdadeiras são aquelas que se passam em nossa intimidade.
Quando Cristo nos pede para procurar o nosso aposento íntimo, não é o aposento físico, não é a nossa sala, o nosso quarto de dormir obrigatoriamente, é o nosso mundo íntimo.
Quando lemos o Evangelho de Lucas, no capítulo VI, Jesus nos diz que as coisas boas que o homem fala provém do bom tesouro do seu coração, como as coisas ruins advêm do mau tesouro do seu coração. Esse coração intimidade.
Então, quando nos propõe orar em secreto, orar no íntimo, entrar para o nosso aposento, Ele está nos dizendo da importância das ações íntimas, das ações da nossa interioridade.
* * *
A oração nos traz uma outra reflexão. Como é que nós deveremos orar? Se é um gesto da nossa intimidade, será que as posições exteriores nos ajudam a orar? Possivelmente não.
Não vale a pena pensar que, para que oremos, tenhamos que estar de pé, assentados, de joelhos, deitados. As posições exteriores não interferem na grandeza da nossa conversa com Deus.
Se tivéssemos por obrigação que orar de joelhos, como poderia orar de joelhos alguém que estivesse acamado, operado, com uma enfermidade deformante e que não pudesse se ajoelhar?
Tudo que não pode ser aplicado em todas as circunstâncias, não pode ser uma verdade Divina. A verdade Divina se aplica em qualquer circunstância.
Por causa disso, vale a pena nós pensarmos que, para a oração, não precisamos de gestos exteriores. Poderemos até fazê-los, mas isso não vai pesar no conteúdo da nossa oração.
Para falarmos com Deus, não haverá nenhuma necessidade de roupas especiais. Eu tenho que estar de rosa, de verde, de branco, de azul, de preto. Nada disso importa. Os panos que usamos por fora, não resolvem a questão da sintonia de dentro.
Para que nós oremos, nós precisamos apagar a luz, acender a luz, colocar fundo musical, tirar o fundo musical? Nada disso interfere.
Embora, nada disso atrapalhe. Se o indivíduo se sente melhor orando com o fundo musical, que ele o ponha. Se se sente melhor orando com luz acesa ou com luz apagada, nenhum problema.
O que tem que ser importante, para quem ora, é a sua postura interior, é a sua atitude interior.
Diz-se que arar é orar. Arar é o símbolo do trabalho no campo. Então, a questão é que trabalhar é orar.
Imaginemos como ora um médico cuidando do seu paciente, à cabeceira do seu enfermo, lidando com ele na tentativa de salvar-lhe a vida, de devolver-lhe a saúde. A integração com os poderes Superiores da vida é uma oração.
Imaginemos a oração daquele homem lavrador, que põe a semente na terra para que germine. Germinada, possa atender à mesa e dar o pão às pessoas. Com que unção aquele homem coloca as suas sementes na terra. É a oração.
Oração também é aquele esforço da professora. Da professora primária, aquela que toma a criança nos seus primeiros anos, para abrir-lhe a mente e retirá-la da escuridão, dar-lhe claridade ao raciocínio, apresentando-lhe o mundo, a vida, as coisas.
Para que alguém se submeta a esse esforço de tirar água da pedra, tem que ser alguém que ore. O trabalho de uma professora é um ato de oração, é um gesto oracional.
Nós encontraremos no trabalho das mães, ao educar seus filhos, dos pais, a orientar sua prole, o gesto oracional.
Como nós sabemos que toda ocupação útil é trabalho, todas essas coisas maravilhosas, que se realizam em nome do bem, em benefício das criaturas, da Humanidade, será um trabalho.
Alguém que leia um bom livro, alguém que faça um alimento, que prepare um prato, alguém que passe um café, que varra uma casa, que cure um doente, que defenda um necessitado, que advogue a causa dos simples, alguém que planta, que colhe, que vende. Todos esses trabalhos, feitos honestamente, representam oração.
Nosso relacionamento com Deus, a nossa possibilidade de sair desse recanto de nossa existência, e ganharmos o mar aberto do amor Divino, pode ser conseguido através de coisas simples: uma pausa, um silêncio íntimo, e a nossa emissão para Deus.
Como os nossos pensamentos são de origem eletromagnética, naturalmente que o nosso pensamento será elevado ao mais alto que tenhamos conseguido impulsioná-lo.
E é por causa disso que verificamos a importância e a beleza de orar. Abrir com essa chave os arquivos Divinos, abrir com essa chave os arcanos de Deus e com ela, comungar com Deus, saídos do nosso subúrbio de necessidades, para a grande metrópole do amor de Deus.


































