Ciência e Espiritismo: caminhos que convergem

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Categoria: Diversos
Data de publicação Escrito por Lucia Moysés


Lucia Moysés

Avanços tecnológicos têm permitido a pesquisadores explorarem áreas nunca antes estudadas pela ciência. Como consequência, alguns deles estão trazendo contribuições que vêm ao encontro de temas espíritas, confirmando aquilo que Allan Kardec já apontara, a partir do que recolhera dos Espíritos.

Quando Gary E. Schwartz, professor da Universidade do Arizona, psiquiatra e PhD em medicina tomou contato com os estudos do seu colega Paul Pearsall, especialista em transplante cardíaco, este acabara de publicar um livro no qual afirmava que alguns de seus pacientes transplantados passaram a manifestar comportamentos estranhos, típicos do doador. A grande quantidade de evidências levaram-no a admitir que as células do coração seriam capazes de reter e depois repassar, para o transplantado, informações a respeito do doador.

Tal explicação não satisfez ao Dr. Schwartz. De posse de uma dezena de relatórios do colega, passou, ele próprio, a fazer investigações e chegou a uma conclusão diferente: as lembranças não estariam no coração, mas sim naquilo que ele chamou, a princípio, de “energia que continuava a ser emanada do doador”. Dentre os muitos fatos observados, um, em particular, chamou-lhe a atenção, posto que não poderia ser atribuído à coincidência ou transmissão de pensamento, que pode ser assim resumido: Glenda era noiva de David, quando esse desencarnou vitimado por um acidente e teve o coração doado para transplante. Cerca de cinco anos depois, em um encontro com o receptor, ela surpreendeu a todos abraçando-o e dizendo: “David, eu te amo. Está tudo copacetic.” A mãe do jovem, ali presente, exclamou assustada: “Esta palavra foi a primeira que ele falou depois do transplante e até hoje ele a repete com frequência. Não sabemos o que significa.” Chorando, Glenda explica: “Sempre que brigávamos, só considerávamos as pazes feitas depois que falávamos um para o outro: ‘Está tudo copacetic’. Essa era uma palavra só nossa. David está aqui. Eu o sinto. Tenho certeza da sua presença.” Convicto dessa verdade, Gary Schwartz passou a se dedicar ao estudo da comunicação dos Espíritos através da mediunidade. Hoje dirige, na sua universidade, um centro de pesquisas que busca juntar ciência e campo energético humano.

Tendo passado a se interessar pelo tema, publicou, em 2003, um livro reunindo evidências científicas sobre a continuidade da consciência após a morte do corpo: Afterlife Experiments. Dentre os muitos estudos que o livro apresenta, destaca-se um que foi considerado cientificamente incontestável. Realizado no referido centro, essa pesquisa consistiu em submeter cinco médiuns reconhecidos a um experimento no qual teriam que estabelecer contato com parentes falecidos de duas pessoas que não conheciam. A cada um foi dada a oportunidade de fazer, a essas pessoas, perguntas, cujas respostas só poderiam ser “sim ou não”. Não havia contato visual entre eles. Dado o caráter científico da pesquisa, também foi criado um grupo de controle formado por mais de 60 pessoas, às quais se pediu que tentassem captar dados sobre os mortos. O índice médio de acerto do grupo dos médiuns foi de 83%, enquanto o do grupo de controle ficou em 36%, fortalecendo a tese espírita da comunicabilidade dos Espíritos.

Outra abertura para investigações científicas de aspectos já conhecidos da Doutrina Espírita veio dos modernos meios de reanimação de pessoas que sofreram ataques cardíacos. Pacientes que estiveram clinicamente mortos – sem batimentos cardíacos, sem respiração e sem frequência cerebral – mas que conseguiram retornar à vida graças ao emprego de tais meios, relataram cenas e fatos observados durante os momentos em que, para os médicos, já não manifestavam sinais vitais. O fenômeno, conhecido como Experiências de Quase-Morte (EQM), fartamente documentado desde que, em 1975, o psiquiatra Raymond Moody Jr., PhD, lançou o livro Vida depois da vida, é o ponto central de um grande estudo científico: Projeto Consciência Humana – envolvendo 25 centros hospitalares dos Estados Unidos, Canadá e Europa. É da autoria do seu coordenador, o médico Sam Parnia, PhD, o livro O que acontece quando morremos. Nele, o autor apresenta uma exaustiva análise do fenômeno que, a seu ver, é baseado na existência de uma forma de energia ainda desconhecida pela ciência. Seu ponto de vista encontra apoio em outro médico, professor da Sorbonne, Bahram Elahi, que afirma: “A mente ou consciência não é algo imaterial. Ao contrário, é composta de um tipo de matéria muito sutil que, embora ainda não descoberta, é conceitualmente semelhante às ondas eletromagnéticas, que são capazes de carregar sons e figuras, e são governadas por leis, axiomas e teoremas precisos”. Assim como o seu colega, Dr. Parnia acredita que a consciência extracorpórea é um tipo de energia que só depende da descoberta de aparelhos próprios para ser cientificamente comprovada. Uma questão de tempo.

Outros avanços científicos que estão ajudando a corroborar postulados espíritas vêm do campo da Astronomia. Supertelescópios têm vasculhado campos profundos do Universo e fotografado bilhões de galáxias, cada uma delas com bilhões de estrelas. Nessas buscas, já foram descobertos 716 planetas fora do Sistema Solar, alguns com condições de abrigar vida semelhante à que conhecemos na Terra. É a ciência se aproximando da confirmação de que há, de fato, uma pluralidade de mundos habitados.

Tudo isso engrandece cada vez mais a Doutrina Espírita e a figura do seu Codificador, Allan Kardec.

Extraído de Boletim SEI nº 2208, de Janeiro de 2012 - www.boletimsei.org.br/?wpfb_dl=360)