O autoperdão
Não existe sentido em ficar curtindo vingança ou teimosia. Guardar mágoa, nem se fale.
Em verdade, tudo isso é fruto do nosso orgulho e da nossa vaidade. Ocorre muito que a pessoa, no seu leito de morte, chame os desafetos para pedir perdão.
Um velho professor contou, certa vez, que ele tinha um grande amigo. Chamava-se Norman. Juntos, passeavam, nadavam.
Um dia, Norman resolveu fazer um busto do amigo. Levou-o para sua casa e fez um rosto em bronze daquele homem de seus quarenta e quatro anos.
O trabalho levou semanas porque Norman desceu a detalhes. Até colocou uma mecha de cabelo caída na testa.
Depois de determinado tempo, Normam e a esposa se mudaram para outra cidade. E a esposa do amigo, logo depois, precisou fazer uma cirurgia delicada.
Norman e a esposa nunca entraram em contato com eles. Souberam da cirurgia de Charlotte, mas não telefonaram, nem telegrafaram. Nada.
O amigo e a esposa ficaram muito sentidos. Acharam aquela indiferença bastante dolorida e cortaram relações.
Com o passar dos anos, o amigo encontrou Norman algumas vezes. Toda vez Norman tentava a reconciliação mas o outro não aceitava.
Norman explicava, mas a explicação não satisfazia. A mágoa era muito grande e o orgulho falava alto.
O tempo passou e, um dia, abrindo o jornal, o amigo leu a notícia da morte de Norman. Ele morrera de câncer.
Vinte modos
André Luiz
Modos com que nós, espíritas, perturbamos a marcha do Espiritismo:
Esquecer a reforma íntima.
Desprezar os deveres profissionais.
Ausentar-se das obras de caridade.
Negar-se ao estudo.
Faltar aos compromissos sem justo motivo.
Rogar privilégios.
Escapar deliberadamente dos sofredores para não prestar-lhes pequeninos serviços.
Colocar os princípios espíritas à disposição de fachadas sociais.
Especular com a Doutrina em matéria política.
Sacrificar a família aos trabalhos da fé.
Açambarcar muitas obrigações, recusando distribuir a tarefa com os demais companheiros ou não abraçar incumbência alguma, isolando-se na preguiça.
Afligir-se pela conquista de aplausos.
Julgar-se indispensável.
Fugir ao exame imparcial e sereno das questões que concernem à clareza do Espiritismo, acima dos interesses e das pessoas.
Abdicar do raciocínio, deixando-se manobrar por movimentos ou criaturas que tentam sutilmente ensombrar a área do esclarecimento espírita com preconceitos e ilusões.
Ferir os outros com palavras agressivas ou deixar de auxiliá-los com palavras equilibradas no momento preciso.
Guardar melindres.
Olvidar o encargo natural de cooperar respeitosamente com os dirigentes das instituições doutrinárias.
Lisonjear médiuns e tarefeiros da causa espírita.
Largar aos outros responsabilidades que nos competem.
(Do livro Opinião Espírita – Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)
Ciência e Espiritismo: caminhos que convergem
Lucia Moysés
Avanços tecnológicos têm permitido a pesquisadores explorarem áreas nunca antes estudadas pela ciência. Como consequência, alguns deles estão trazendo contribuições que vêm ao encontro de temas espíritas, confirmando aquilo que Allan Kardec já apontara, a partir do que recolhera dos Espíritos.
Quando Gary E. Schwartz, professor da Universidade do Arizona, psiquiatra e PhD em medicina tomou contato com os estudos do seu colega Paul Pearsall, especialista em transplante cardíaco, este acabara de publicar um livro no qual afirmava que alguns de seus pacientes transplantados passaram a manifestar comportamentos estranhos, típicos do doador. A grande quantidade de evidências levaram-no a admitir que as células do coração seriam capazes de reter e depois repassar, para o transplantado, informações a respeito do doador.
Tal explicação não satisfez ao Dr. Schwartz. De posse de uma dezena de relatórios do colega, passou, ele próprio, a fazer investigações e chegou a uma conclusão diferente: as lembranças não estariam no coração, mas sim naquilo que ele chamou, a princípio, de “energia que continuava a ser emanada do doador”. Dentre os muitos fatos observados, um, em particular, chamou-lhe a atenção, posto que não poderia ser atribuído à coincidência ou transmissão de pensamento, que pode ser assim resumido: Glenda era noiva de David, quando esse desencarnou vitimado por um acidente e teve o coração doado para transplante. Cerca de cinco anos depois, em um encontro com o receptor, ela surpreendeu a todos abraçando-o e dizendo: “David, eu te amo. Está tudo copacetic.” A mãe do jovem, ali presente, exclamou assustada: “Esta palavra foi a primeira que ele falou depois do transplante e até hoje ele a repete com frequência. Não sabemos o que significa.” Chorando, Glenda explica: “Sempre que brigávamos, só considerávamos as pazes feitas depois que falávamos um para o outro: ‘Está tudo copacetic’. Essa era uma palavra só nossa. David está aqui. Eu o sinto. Tenho certeza da sua presença.” Convicto dessa verdade, Gary Schwartz passou a se dedicar ao estudo da comunicação dos Espíritos através da mediunidade. Hoje dirige, na sua universidade, um centro de pesquisas que busca juntar ciência e campo energético humano.
Tendo passado a se interessar pelo tema, publicou, em 2003, um livro reunindo evidências científicas sobre a continuidade da consciência após a morte do corpo: Afterlife Experiments. Dentre os muitos estudos que o livro apresenta, destaca-se um que foi considerado cientificamente incontestável. Realizado no referido centro, essa pesquisa consistiu em submeter cinco médiuns reconhecidos a um experimento no qual teriam que estabelecer contato com parentes falecidos de duas pessoas que não conheciam. A cada um foi dada a oportunidade de fazer, a essas pessoas, perguntas, cujas respostas só poderiam ser “sim ou não”. Não havia contato visual entre eles. Dado o caráter científico da pesquisa, também foi criado um grupo de controle formado por mais de 60 pessoas, às quais se pediu que tentassem captar dados sobre os mortos. O índice médio de acerto do grupo dos médiuns foi de 83%, enquanto o do grupo de controle ficou em 36%, fortalecendo a tese espírita da comunicabilidade dos Espíritos.



































Há vida depois da morte?

